REVOLUÇÕES IMPRESSAS: DO CARIMBO À IMAGEM FOTOGRÁFICA

POR ADRIANO RODRIGUES

A impressão gráfica evoluiu muito, mas o tempo que ela levou para atingir o estágio em que a encontramos hoje foi muito longo, levou mais de 500 anos. Se pensarmos no avanço da tecnologia digital, partindo do uso do computador pessoal até o estágio dos dispositivos móveis, levamos em torno de 30 anos.

Para entendermos o breve percurso histórico que relataremos aqui, torna-se indispensável alguns conhecimentos prévios de produção gráfica. Podemos dizer que a impressão gráfica, até metade do ano de 1985, estava dividida em duas categorias, a impressão planográfica e a impressão relevográfica; mas, com o advento da tecnologia digital e o surgimento das impressoras a laser, podemos incluir um outro tipo de impressão, a impressão digital.

Como impressões relevográficas, podemos citar as impressões tipográfica e xilográfica; já como impressão planográfica, podemos citar as impressões litrográfica, offset e digital.

No nosso mundo ocidental, podemos iniciar nosso percurso histórico pelo impressor alemão Johannes Gutenberg. Gutenberg revolucionou a difusão do conhecimento associando os tipos móveis com a prensa tipográfica em 1450. A invenção de Gutenberg mecanizou a profissão do escriba e ajudou na reprodução do conhecimento com a impressão tipográfica.

Gutenberg revolucionou o mundo com seu invento, mas engana-se quem pensa que ele criou a impressão, ela foi criada pelos chineses. Rodrigues regista a importância de Gutenberg da seguinte forma:

A grande contribuição de Gutenberg é creditada à associação dos tipos móveis com a prensa tipográfica, conseguindo a liga ideal para a fundição dos tipos. Sua criação abriu novos horizontes para a divulgação da mensagem escrita e deu início ao acesso da informação para um maior volume de pessoas.

Sabemos hoje que os meios de comunicação vêm convergindo há tempos, com o avanço da tecnologia digital e da internet, rádio, tv, jornais, revista etc já passaram e ainda estão passando pelo processo de convergência. Hoje vemos todos esses meios citados adaptados e implantados em computadores, tablets e smartphones, mas acreditamos que esse processo parece estar no começo, pois muita coisa ainda será feita para melhorar o desempenho e a aceitação do público dos meios de comunicação em seus novos suportes, o suporte digital.

Hoje, computadores, tablets e smartphones servem como suportes dos meios de comunicação, pois vemos empresas de notícias, como a CBN por exemplo, suplementadas em diversas plataformas, na verdade nas três plataformas digitais como computadores, tablets e smartphones, além do tradicional rádio. Este fenômeno não acontece apenas nas empresas de notícias, ele está implantado em várias outras áreas, como a indústria de entretenimento, por exemplo, onde podemos citar a Netflix (empresa que distribui vídeo online por vários cantos do mundo) como empresa que deposita seu conteúdo nestas três plataformas digitais já citadas além das smart tvs e de aparelhos de streaming como o Apple TV, da Apple, o Google ChromeCast, do Google e do Fire TV Stick, da Amazon.

Para entendermos porque várias áreas estão convergindo para os mais diversos tipos de aparelhos digitais, podemos levantar aqui algumas hipóteses; acreditamos que esse fenômeno ocorre por diversas formas e podemos dar aqui alguns exemplos como a necessidade de usarmos aparelhos que entregam conteúdos digitais, como tvs, aparelhos celulares, os tablets. Podemos dizer também que as empresas vão onde o público está, já que a busca por conteúdos não se restringe apenas aos jornais, às revistas, às tvs etc. O conteúdo, hoje, está muito no ambiente digital. E, por último, acreditamos que há uma grande quantidade de pessoas jovens que já estão acostumadas com informações gratuitas e digitais, tanto no ambiente online ou offline.

Saindo do campo de impressão por meio de matrizes relevográficas, surge, por volta de 1787, a impressão litográfica. A impressão litográfica é um tipo de impressão que usa matrizes planas para obter a impressão do conteúdo. Na litografia, a matriz de impressão é a pedra, a tinta é à base de gordura. A impressão se dá por meio da prensagem por meio de rolos. A litografia revoluciona a reprodução de imagens, libertando‑a da dureza encontrada em matrizes de madeira e de metal. Outra grande contribuição da litografia é que ela foi precursora da impressão offset, pois o conceito tecnológico era bem parecido.

A revolução causada pela melhoria da tecnologia gráfica ajudou a popularizar o meio revista, pois o barateamento e a rapidez do processo de impressão gráfica permitiram trazer qualidade visual ao meio. Podemos encontrar esta afirmação no livro editado pela ANER (Associação Nacional de Editores de Revista).

A evolução das técnicas de impressão permite o aumento da circulação e populariza o formato revista, antes encarecido pelo seu volume de conteúdo e pela qualidade. É nesse momento que nasce a preocupação com a ilustração de reportagens e artigos. Vale ressaltar a fotografia e a impressão por meio-tom, que passa a ser utilizada pela imprensa em 1850. Aliado a isto, o desenvolvimento dos transportes deu fôlego à distribuição, permitindo que exemplares chegassem mais rápido e mais longe.

Com o surgimento e aperfeiçoamento da fotografia, surgem novas formas de reprodução da informação. A tecnologia empregada na fotografia foi o fio condutor para a criação de outras matrizes de impressão, como as chapas metálicas fotossensíveis, utilizadas na impressão offset.

Rodrigues afirma que “o sistema offset é um processo de impressão indireta. Sua impressão é dada pela transferência da imagem entintada, que é fixada na chapa metálica e depois transferida para a borracha (blanqueta) até o papel”.

A impressão offset revoluciona a impressão gráfica, elevando drasticamente a qualidade na reprodução de textos e imagens fotográficas. Outra grande vantagem empregada pela impressão offset é a velocidade da impressão, podendo rodar milhares de cópias gráficas em horas. Pelas suas qualidades, a impressão offset até hoje é o meio de impressão mais usado para a reprodução gráfica das revistas impressas.

As máquinas de impressão offset foram se modernizando e a forma de fazer arte-final também, pois a partir de início dos anos 90, o computador já era uma ferramenta importante na produção de artes-finais digitalizadas. As chapas de impressão offset, que antes eram usadas em alumínio ou zinco, ganham, neste período, uma impressora, ou seja, as matrizes de impressão offset eram gravadas com equipamentos fotomecânicos com a ajuda de um profissional responsável e, agora, são automatizadas por uma impressora. Este processo ficou conhecido como CTP – Computer to Plate, pois a arte-final iria do computador direto para a chapa de impressão.

A impressão offset ganha uma concorrente ou uma aliada, quando, no mercado, surge a impressão digital. No começo, este tipo de impressão era bem estranha comparada aos padrões de qualidade que a impressão offset traz, mas hoje em dia, as impressoras digitais tem qualidade muito parecida com a impressão offset. Podemos dar como exemplo a impressora digital HP indigo 10000, que traz qualidade de impressão que pode servir até como prova de impressão.

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