REVOLUÇÃO DIGITAL: O COMPUTADOR PESSOAL, A INTERNET E OS DISPOSITIVOS MÓVEIS

POR ADRIANO RODRIGUES

   O meio revis­ta tem papel fun­da­men­tal na comu­ni­ca­ção de mas­sa, tan­to no Bra­sil quan­to no mun­do. Ela dife­re-se de outras publi­ca­ções como o jor­nal pelas carac­te­rís­ti­cas e espe­ci­fi­ci­da­des que a defi­nem. O jor­nal é um tipo de publi­ca­ção perió­di­ca que pro­pa­ga suas infor­ma­ções diá­ri­as, rápi­das etc, enquan­to a revis­ta é um perió­di­co que publi­ca infor­ma­ções mais pro­fun­das, sua peri­o­di­ci­da­de tem um tem­po mais espa­ça­do, pois temos revis­tas sema­nais, men­sais, semes­trais etc. Outra carac­te­rís­ti­ca impor­tan­te do meio revis­ta é que as infor­ma­ções con­ti­das em suas publi­ca­ções são geral­men­te seg­men­ta­das, de cunho jor­na­lís­ti­co, poden­do ter infor­ma­ções cien­tí­fi­cas, de entre­te­ni­men­to etc.

   Sou­za rela­ta que no final do sécu­lo XIX o meio revis­ta se con­so­li­da como pro­du­to midiá­ti­co, con­so­li­da algu­mas de suas carac­te­rís­ti­cas e se popu­la­ri­za como meio de comu­ni­ca­ção de mas­sa.

   É cor­re­to dizer que a revo­lu­ção digi­tal rom­peu vári­as bar­rei­ras e revo­lu­ci­o­nou o mun­do mais uma vez. Sua implan­ta­ção equi­va­le à revo­lu­ção cau­sa­da por Guten­berg no sécu­lo XV. A revo­lu­ção digi­tal muda a for­ma como o homem se rela­ci­o­na com o mun­do e como ele pro­duz e con­so­me infor­ma­ção.

   É cor­re­to dizer tam­bém que toda mudan­ça de tec­no­lo­gia cau­sa estra­nha­men­to e encan­ta­men­to ao mes­mo tem­po. As pes­so­as envol­vi­das ficam con­fu­sas, resis­ten­tes e des­con­fi­a­das. Con­fu­sas por fica­rem per­di­das no meio de tan­ta novi­da­de, resis­ten­tes por que a meto­do­lo­gia apren­di­da no mun­do físi­co fica mui­to dife­ren­te no mun­do digi­tal. Sen­do assim, as neces­si­da­des de adap­ta­ções e novos apren­di­za­dos são impres­cin­dí­veis e cru­ci­ais para a sobre­vi­vên­cia do homem em seu mer­ca­do de tra­ba­lho. As des­con­fi­an­ças vêm por achar­mos que o novo méto­do não vai vin­gar ou dar cer­to, ou mes­mo por achar­mos que a nova for­ma de fazer é uma tare­fa difí­cil.

   As con­clu­sões pre­ci­pi­ta­das que o homem faz sobre as novas tec­no­lo­gi­as são nor­mais e até com­pre­en­sí­veis, mas sabe­mos que a inclu­são bem exe­cu­ta­da de uma nova tec­no­lo­gia ten­de a per­ma­ne­cer até que venha outra nova e, se ficar­mos espe­ran­do as coi­sas melho­ra­rem, pode­mos per­der o bon­de da ino­va­ção, cor­ren­do o ris­co de ficar de fora de novas revo­lu­ções. Pode­mos citar o caso da empre­sa Kodak, que inven­tou a câme­ra foto­grá­fi­ca digi­tal e, por achar que ela não ser­via e por ter outros inte­res­ses comer­ci­ais, não implan­tou o pro­je­to, fican­do para traz e, mais tar­de, entran­do em falên­cia.

   Antes de embar­car­mos nes­ta via­gem, é impor­tan­te regis­trar nos­so encan­ta­men­to com a revo­lu­ção digi­tal. No final dos anos 1980, nos­so tra­ba­lho era a fei­tu­ra de arte-final. Para se tra­ba­lhar nes­ta área, naque­le perío­do, era neces­sá­rio o conhe­ci­men­to e manu­seio de mate­ri­ais usa­dos nas artes, como o pin­cel, tin­tas, dese­nho etc, e todo o pro­ces­so de pro­du­ção era manu­al, a úni­ca coi­sa meca­ni­za­da ou digi­ta­li­za­da era o tex­to.

   Todo este tra­ba­lho tor­nou-se digi­tal e tive­mos que subs­ti­tuir fer­ra­men­tas usa­das na arte por uma máqui­na cha­ma­da com­pu­ta­dor. Quan­do vimos a faci­li­da­de empre­ga­da por essa máqui­na no pro­ces­so de pro­du­ção grá­fi­ca, nos­so encan­ta­men­to foi rápi­do e empol­gan­te, reche­a­do de medos e desa­fi­os. Não foi nada fácil subs­ti­tuir tin­ta (pig­men­tos) por luz; lápis pelo mou­se; e fer­ra­men­tas por botões.

   Para que fique cla­ro o enten­di­men­to por tan­ta empol­ga­ção, é impor­tan­te rela­tar­mos aqui os cami­nhos que leva­ram à digi­ta­li­za­ção dos pro­ces­sos de tra­ba­lho.

   Infor­ma­ções con­ce­di­das pelo comen­ta­ris­ta de tec­no­lo­gia da rádio CBN, Sil­vio Mei­ra, no dia 24 de dezem­bro de 2014, em sua colu­na inti­tu­la­da Bits da Noi­te, foram bem inte­res­san­tes. Mei­ra fez apon­ta­men­tos inte­res­san­tes sobre o balan­ço geral no mer­ca­do de TI – tec­no­lo­gia do ano de 2014 para 2015 e rela­ta um cres­ci­men­to de 50% do mer­ca­do de tec­no­lo­gia da infor­ma­ção. Ele faz, pri­mei­ra­men­te, um rela­to por meio de qua­tro déca­das de revo­lu­ções tec­no­ló­gi­cas e depois faz uma aná­li­se da fal­ta de mão de obra qua­li­fi­ca­da na pro­du­ção de ser­vi­ços digi­tais. O que nos inte­res­sa aqui é a pri­mei­ra par­te.

   Mei­ra divi­de sua aná­li­se por déca­das. Ele afir­ma que, em 1970, o mun­do tec­no­ló­gi­co teve uma evo­lu­ção em hardwa­res, quan­do máqui­nas ficam mais poten­tes com mai­or poder de aná­li­ses de dados. Já em 1980, a gran­de ino­va­ção foi na área dos softwa­res; nos anos 1990, a gran­de revo­lu­ção foi em conec­ti­vi­da­de; e nos anos 2000, hou­ve uma revo­lu­ção de mobi­li­da­de.

   Essas infor­ma­ções difun­di­das por Mei­ra enri­que­cem mui­to nos­so per­cur­so his­tó­ri­co da era da revo­lu­ção digi­tal e nos­sos argu­men­tos. Para enten­der­mos melhor, vamos nave­gar por essas déca­das e enten­der o enca­de­a­men­to que levou ao desen­vol­vi­men­to das tec­no­lo­gi­as com­pu­ta­ci­o­nais, das tec­no­lo­gi­as conec­ta­das e da tec­no­lo­gia móvel.

   Na área tec­no­ló­gi­ca, os anos 1970 fica­ram mar­ca­dos pelo desen­vol­vi­men­to e aper­fei­ço­a­men­to em hard­ware. Nes­te perío­do os softwa­res tam­bém esta­vam em desen­vol­vi­men­to, mas a neces­si­da­de da digi­ta­li­za­ção de ima­gens, víde­os, games etc leva­ram as empre­sas a inves­ti­rem bilhões de dóla­res no aper­fei­ço­a­men­to de máqui­nas com­pu­ta­ci­o­nais. Pode­mos ver esta cons­ta­ta­ção em San­ta­el­la:

   Des­de o final dos anos 1970, na esfe­ra da indús­tria cul­tu­ral, na tele­vi­são, nos comer­ci­ais, nos fil­mes e games, bilhões de dóla­res foram inves­ti­dos para o aper­fei­ço­a­men­to dos sis­te­mas tan­to de hard­ware quan­to de soft­ware para a dis­po­ni­bi­li­za­ção de ima­gens ani­ma­das gera­das com­pu­ta­ci­o­nal­men­te, as quais, a des­pei­to de terem sido pro­du­zi­das no com­pu­ta­dor, pare­cem foto­gra­fi­ca­men­te rea­lis­tas.

   Até o final dos anos 1970, os com­pu­ta­do­res eram máqui­nas de exclu­si­vi­da­de das empre­sas. Os com­pu­ta­do­res empre­sa­ri­ais eram conhe­ci­dos como com­pu­ta­do­res main­fra­me. As máqui­nas com­pu­ta­ci­o­nais main­fra­mes eram máqui­nas gran­des fisi­ca­men­te e fica­vam alo­ja­das em gran­des salas. Os com­pu­ta­do­res main­fra­mes tinham gran­de poder de pro­ces­sa­men­to de dados, eram conec­ta­dos e extre­ma­men­te caros.

   A tec­no­lo­gia com­pu­ta­ci­o­nal avan­ça­va e a neces­si­da­de de ter com­pu­ta­do­res meno­res em empre­sas e nos lares era indis­pen­sá­vel, mas a pro­du­ção do com­pu­ta­dor era cara e as peças que com­pu­nham o com­pu­ta­dor eram gran­des. A solu­ção veio com o desen­vol­vi­men­to, o aper­fei­ço­a­men­to e o bara­te­a­men­to da micro­e­le­trô­ni­ca. A micro­e­le­trô­ni­ca aju­dou no desen­vol­vi­men­to do com­pu­ta­dor pes­so­al.

   Duran­te a déca­da de 1970, foram inven­ta­dos vári­os mode­los de com­pu­ta­do­res pes­so­ais, que fica­ram conhe­ci­dos como PC (Per­so­nal Com­pu­ter), mas o pro­je­to que atin­giu o esta­do de com­pu­ta­dor pes­so­al como conhe­ce­mos hoje foi o Apple II, desen­vol­vi­do pela dupla Ste­ve Jobs e Ste­ve Woz­ni­ak. Antes do Apple II, Woz­ni­ak tinha cri­a­do com­pu­ta­dor Apple I. Como Woz­ni­ak tra­ba­lha­va para a HP (Hewlett-Pac­kard), o pro­je­to do com­pu­ta­dor pes­so­al foi apre­sen­ta­do pri­mei­ra­men­te para esta empre­sa, mas foi recu­sa­do.

   Já nos anos 1980, a entra­da da IBM (Inter­na­ti­o­nal Busi­ness Machi­nes) aque­ce o mer­ca­do de com­pu­ta­dor pes­so­al. Nes­te perío­do, empre­sas e per­so­na­li­da­des se des­ta­cam. Empre­sas como Apple, Micro­soft, IBM etc e per­so­na­li­da­des como Ste­ve Jobs, Ste­ve Woz­ni­ak, Bill Gates e Paul Allen foram gran­des agen­tes na imple­men­ta­ção e popu­la­ri­za­ção do com­pu­ta­dor pes­so­al.

   Com o suces­so do com­pu­ta­dor pes­so­al, a déca­da de 1980 foi o perío­do de desen­vol­vi­men­to dos softwa­res. Um dos sis­te­mas ope­ra­ci­o­nais mais usa­dos no com­pu­ta­dor pes­so­al foi desen­vol­vi­do pela Micro­soft, o MS-DOS (Micro­Soft Disk Ope­ra­ting). O MS-DOS era um sis­te­ma ope­ra­ci­o­nal que não visu­a­li­za­va ima­gens, visu­a­li­za­va tex­to e códi­gos em tela com letras ver­des flu­o­res­cen­tes ou bran­cas sobre fun­do pre­to ou azul.

Telas do MS-DOS. Linha de coman­do

   Com o avan­ço dos hardwa­res e dos com­pu­ta­do­res, o uso do MS-DOS foi supe­ra­do pela tela grá­fi­ca, usa­da em com­pu­ta­do­res da Apple e da Micro­soft, e o pelo sis­te­ma desen­vol­vi­do por um gru­po de empre­sas, o sis­te­ma Desk­top Publishing. Empre­sas como Xerox, Apple e Micro­soft bri­ga­ram pela implan­ta­ção e desen­vol­vi­men­to de vári­os avan­ços tec­no­ló­gi­cos.

Tela grá­fi­ca do com­pu­ta­dor da Apple, o Lisa. Fon­te: www.webdesignerdepot.com

   A tec­no­lo­gia do Desk­top Publishing é o agru­pa­men­to de tela grá­fi­ca, soft­ware dia­gra­ma­dor, tipo­gra­fia digi­tal, impres­so­ras etc. No Bra­sil, este sis­te­ma ficou conhe­ci­do como edi­to­ra­ção ele­trô­ni­ca. O sis­te­ma Desk­top Publishing pos­si­bi­li­tou às pes­so­as tra­ba­lha­rem com ima­gens em com­pu­ta­dor e, com isso, foi pos­sí­vel dese­nhar, colo­rir, mon­tar peças grá­fi­cas etc. Baer (1999, p. 56) regis­tra o sur­gi­men­to do Desk­top Publishing. Nes­te regis­tro, per­ce­be­mos o envol­vi­men­to de vári­as empre­sas no desen­vol­vi­men­to de tec­no­lo­gi­as e mui­tas des­sas empre­sas são líde­res em seu seg­men­to.

   Em janei­ro de 1985, na reu­nião anu­al dos aci­o­nis­tas da Apple Com­pu­ter ame­ri­ca­na, foi apre­sen­ta­do o con­jun­to de micro­com­pu­ta­do­res Apple Macin­tosh / soft­ware Page­Ma­ker 1.0, da Aldus Cor­po­ra­ti­on / fon­tes digi­tais licen­ci­a­das pela ITC (Inter­na­ti­o­nal Type­fa­ce Cor­po­ra­ti­on) / lin­gua­gem de des­cri­ção de pági­na PostS­cript da Ado­be e o mode­lo ori­gi­nal da impres­so­ra Apple Laser­Wri­ter, com reso­lu­ção de 300 dpi.

   A inclu­são do tecla­do e do mou­se não é exclu­si­vi­da­de do sis­te­ma Desk­top Publishing, mas aju­dou mui­to na difu­são do sis­te­ma.

   A con­so­li­da­ção dos com­pu­ta­do­res e dos sis­te­mas ope­ra­ci­o­nais foi ape­nas a pon­ta do ice­berg tec­no­ló­gi­co, nos anos 1990. Outra gran­de revo­lu­ção esta­va por sur­gir no cam­po da comu­ni­ca­ção, que foi o sur­gi­men­to da inter­net, inau­gu­ran­do, assim, a era da cone­xão em rede – cone­xão, prin­ci­pal­men­te, de pes­so­as. Pinho  defi­ne, de for­ma pre­ci­sa, o que é a inter­net:

   O ter­mo Inter­net foi cunha­do com base na expres­são ingle­sa “INTE­Rac­ti­on or INTER­con­nec­ti­on betwe­en com­pu­ter NETworks”. Assim, a inter­net é a rede das redes, o con­jun­to das cen­te­nas de redes de com­pu­ta­do­res conec­ta­dos em diver­sos paí­ses dos seis con­ti­nen­tes para com­par­ti­lhar a infor­ma­ção e, em situ­a­ções espe­ci­ais, tam­bém recur­sos com­pu­ta­ci­o­nais. As cone­xões entre elas empre­gam diver­sas tec­no­lo­gi­as, como linhas telefô­ni­cas comuns, linhas de trans­mis­são de dados dedi­ca­das, saté­li­tes, linhas de micro ondas e cabos de fibra ópti­cas.

   O mun­do da inter­net acon­te­ce den­tro do mun­do vir­tu­al, conec­ta­do ao cibe­res­pa­ço. Para expli­car­mos isso melhor, vamos enten­der pri­mei­ro o que seria mun­do vir­tu­al e depois o con­cei­to de cibe­res­pa­ço. Mui­tos con­fun­dem mun­do vir­tu­al com mun­do real, na ver­da­de o mun­do vir­tu­al exis­te, é o resul­ta­do visu­al de milhões de bits, sua exis­tên­cia se dá no momen­to em que são aces­sa­dos, sua exis­tên­cia pode ser per­ce­bi­da por pro­je­ções em telas digi­tais, quan­do são aces­sa­dos por meio de dis­cos rígi­dos ou por cone­xões via inter­net. Mas é cor­re­to dizer que o mun­do vir­tu­al se opõe ao mun­do físi­co, já que não pode­mos tocar as infor­ma­ções vir­tu­ais; mas o indí­cio de que são reais é a capa­ci­da­de de poder­mos ver e inte­ra­gir com as mes­mas.

   Para con­cei­tu­ar­mos melhor o vir­tu­al e cibe­res­pa­ço, nos apoi­a­re­mos nas infor­ma­ções usa­das por Mar­ti­no, base­a­dos nas teo­ri­as do filó­so­fo fran­cês da cul­tu­ra vir­tu­al, Pier­re Lévy:

   O ter­mo “espa­ço vir­tu­al” ou ape­nas “vir­tu­al” é empre­ga­do mui­tas vezes como opos­to ao “real”, como se aqui­lo que é “vir­tu­al” não tives­se exis­tên­cia. Lévy con­si­de­ra que o “vir­tu­al” é par­te inte­gran­te do “real”, não se opõe a ele. O con­trá­rio de “vir­tu­al”, nes­se sen­ti­do, é “atu­al”, no sen­ti­do de algo que está acon­te­cen­do nes­te momen­to. Vale a pena exa­mi­nar um pou­co mais de per­to essa defi­ni­ção.

   No cibe­res­pa­ço todas as infor­ma­ções e dados exis­tem, mas não são aces­sa­dos ao mes­mo tem­po.

   O mun­do vir­tu­al do cibe­res­pa­ço, por­tan­to, não se opõe ao que seria um mun­do “real”, das coi­sas des­co­nec­ta­das. Ao con­trá­rio, a noção de ciber­cul­tu­ra leva em con­si­de­ra­ção que essas duas dimen­sões se arti­cu­lam. A expres­são “mun­do vir­tu­al” pode se opor ao “mun­do físi­co”, mas não ao “mun­do real”. O mun­do vir­tu­al exis­te enquan­to pos­si­bi­li­da­de, e se tor­na visí­vel quan­do aces­sa­do, o que não sig­ni­fi­ca que ele não seja real.

   A teo­ria que abor­da­mos ago­ra nos aju­da a enten­der o suces­so da inter­net, pois com o mun­do conec­ta­do, às coi­sas ou pes­so­as não pre­ci­sam estar pre­sen­tes fisi­ca­men­te, as simu­la­ções vir­tu­ais, em mui­tos casos, são sufi­ci­en­tes para que pos­sa­mos ter a inte­ra­ção, por isso pes­so­as, livros, revis­tas etc, não pre­ci­sam estar pre­sen­tes para que pos­sam ser aces­sa­dos ou com­pre­en­di­dos, sua vir­tu­a­li­da­de pode dar con­ta do reca­do. Por isso acre­di­ta­mos que a inter­net vem revo­lu­ci­o­nan­do o mun­do de diver­sas for­mas.

   A revo­lu­ção e o impac­to cau­sa­dos pela inter­net têm dimen­sões assom­bro­sas. Ela veio para encur­tar dis­tân­ci­as com o uso das redes soci­ais e for­ma de tra­ba­lhar remo­ta­men­te, muda a for­ma de tra­ba­lhar de mui­tas pes­so­as, expan­de o con­cei­to de mídia para o mun­do digi­tal, cria mun­dos, o onli­ne e offli­ne, muda a for­ma de estar pre­sen­te, cri­an­do uma pre­sen­ça onli­ne, aju­da no pro­ces­so de con­ver­gên­cia das mídi­as, em que revis­tas, jor­nais, rádi­os e tele­vi­sões foram digi­ta­li­za­das e foram depo­si­ta­das em web­si­tes ou em apli­ca­ti­vos. Colo­ca­mos aqui ape­nas algu­mas trans­for­ma­ções cau­sa­das pela inter­net, mas para cada mun­do, para cada cená­rio, a revo­lu­ção acon­te­ceu de for­ma par­ti­cu­lar e espe­cí­fi­ca. Para que a inter­net tenha sua efi­cá­cia é neces­sá­ria uma boa rede de cone­xões que pos­sa vir a dia­lo­gar com o que você pro­cu­ra e depen­de tam­bém da infra­es­tru­tu­ra de boas redes de cone­xões.

   A inter­net é resul­ta­do de estu­dos e prá­ti­cas mili­ta­res duran­te os anos de 1950 e 1960 no perío­do da guer­ra fria, depois seu uso se deu den­tro de uni­ver­si­da­de e depois pas­sou para uso do públi­co em geral. Seu sur­gi­men­to é méri­to do físi­co bri­tâ­ni­co, Tim-Ber­ners-Lee e seus ami­gos.

   Em 1991, Tim Ber­ners-Lee e seus cole­gas no Cen­tro Euro­peu de Pes­qui­sas Nucle­a­res desen­vol­vem a “World Wide Web”, ini­ci­an­do a cri­a­ção das pági­nas e sites – até então, o com­par­ti­lha­men­to de dados era fei­to pri­mor­di­al­men­te a par­tir de outras for­mas de comu­ni­ca­ção em rede como as BBS (“Board Bul­le­tin Sys­tem”), ou, em tra­du­ção livre, lis­tas de men­sa­gens e e-mails.

   No Bra­sil, a inter­net teve seu iní­cio prá­ti­co a par­tir de 1990, mas sua aber­tu­ra comer­ci­al teve iní­cio em 1995. A aqui­si­ção de com­pu­ta­do­res pes­so­ais por par­te da popu­la­ção con­tri­buiu mui­to para o suces­so da inter­net.

   Des­de sua cri­a­ção, a inter­net cres­ceu mui­to e, com aper­fei­ço­a­men­to a par­tir da web 2.0, o ambi­en­te digi­tal conec­ta­do avan­çou mui­to. Na área de comu­ni­ca­ção, área que nos inte­res­sa nes­ta mono­gra­fia, a inter­net cri­ou novos cená­rio que são as mídi­as digi­tais. A base estru­tu­ral da mídia digi­tal refe­ren­cia-se nas mídi­as ana­ló­gi­cas, das quais, em mui­tos casos, o supor­te físi­co faz par­te. Nas mídi­as digi­tais, o con­cei­to de hibri­dis­mo é essen­ci­al.

   A par­tir dos anos 2000, o com­pu­ta­dor pes­so­al e a inter­net fun­dem-se em novos dis­po­si­ti­vos, ganham mobi­li­da­de e podem ser aces­sa­dos de qual­quer lugar. As pes­so­as podem con­su­mir con­teú­dos de for­ma onli­ne e offli­ne. Esta­mos falan­do dos tablets e dos smartpho­nes. Com eles o aces­so às infor­ma­ções ganham for­ça, estão dis­po­ní­veis nas mãos da popu­la­ção, e o aces­so aos con­teú­dos está ao toque de um dedo.

   A revo­lu­ção da tec­no­lo­gia móvel ganha for­ça com o sur­gi­men­to do iPho­ne a par­tir de 2009 e em 2010, com a inclu­são do iPad em nos­sas vidas. Mais uma vez, Ste­ve Jobs, no coman­do da Apple, revo­lu­ci­o­nou o mer­ca­do. Para que esses novos dis­po­si­ti­vos tives­sem suces­so, foi neces­sá­ria a cri­a­ção de um gran­de ecos­sis­te­ma, que pudes­se abar­car mui­tas outras áre­as como a músi­ca, os víde­os, as revis­tas e as mais diver­sas apli­ca­ções, todos encap­su­la­dos em for­ma de apli­ca­ti­vos.

   Com seus ecos­sis­te­mas, a Apple, o Goo­gle, a Ama­zon, a Micro­soft e outras empre­sas cri­a­ram novas for­mas de comer­ci­a­li­zar pro­du­tos e ser­vi­ços. O meio revis­ta não podia ficar de fora des­te ecos­sis­te­ma, mas acre­di­ta­mos que a for­ma como ela está implan­ta­da não aten­de às neces­si­da­des dos lei­to­res nem das edi­to­ras, pois os con­teú­dos ficam pre­sos em seus apli­ca­ti­vos, com pou­ca cone­xão com a rede e res­tri­tos ao públi­co inte­res­sa­do e enga­ja­do no con­su­mo de con­teú­dos.