PROCESSO DE DIGITALIZAÇÃO DAS REVISTAS IMPRESSAS PARA AS PLATAFORMAS DIGITAIS

POR ADRIANO RODRIGUES

A revista digital já é realidade no mercado editorial e os novos suportes em que ela foi depositada são digitais e sua visualização são por meio de telas gráficas. Acessamos seu conteúdo por meio de dispositivos (aparelhos), sejam eles móveis ou fixos, e vemos esse conteúdo em telas digitais. Muitas dessas telas são sensíveis ao toque, nesse tipo de tela o dedo vira o mouse, ou seja, o acesso ao conteúdo é por meio do toque de dedos. Para o leitor que ama a revista em papel, as telas dos atuais aparelhos eletrônicos não são nada parecidas com o papel da revista, nem em tamanho, textura, brilho recursos gráficos etc. As telas digitais são bem diferentes e ainda causam um certo desconforto.  Mas, por que as revistas digitais contemporâneas foram depositadas em telas digitais?

Podemos citar vários motivos para responder a esta pergunta, mas o que fica evidente aqui é o crescimento acelerado da tecnologia digital, é a mudança de suportes, é o acesso da informação por meio de meios digitais e a internet ajudou muito a formar esta cultura. A tecnologia digital traz a mudança de paradigmas, seja ele uma simples mudança de processos ou a mudança na mente humana.

Essa revolução digital não é de hoje, ela é fruto da entrada dos equipamentos que processam informações como os computadores mainframe, do surgimento da internet, é fruto da melhora na qualidade das imagens, tanto no impresso como no digital, da reprodução do áudio e do vídeo no ambiente digital. A revista digital atual é resultado de um avanço cada vez maior da tecnologia digital dos códigos de programação, da revolução que é o HTML. É também resultado principalmente da cultura contemporânea, uma vez que as pessoas já se acostumaram com o uso do computador em suas vidas, com o ambiente da internet, com o som MP3 etc.

Como já vimos, a tecnologia digital entrou em nosso cotidiano por meio do computador pessoal, depois da internet e agora, a última grande revolução aconteceu com o avanço das tecnologias geradas para dispositivos móveis como o tablet e os smartphones. Os recentes dispositivos móveis são os atuais canivetes suíços, pois, por meio da performance dos hardwares e dos softwares (aplicativos) embutidos neles, podemos fazer inúmeras aplicações. Essa revolução digital nos leva a crer que, hoje, os atuais dispositivos móveis são imprescindíveis para a sobrevivência de outras tecnologias, que passaram ou passarão pelo processo de convergência digital.

Muitas das revistas atuais já estão depositadas em tablets smartphones, mas acreditamos que elas também poderiam estar no computador de forma eficiente, pois o que vemos hoje é que, muitas vezes, o computador virou depósito de arquivos mortos. A maioria das revistas convergidas buscaram assemelhar-se ao seu modelo impresso. Quando falamos das semelhanças da revista digital para a impressa, estamos falando apenas de questões visuais, questões de design gráfico. Isso quer dizer que a revista digital hoje é bem semelhante visualmente à revista impressa. Para entendermos o porquê disso, gostaríamos de levantar algumas questões:

  1. Por que as revistas digitais, depositadas em modernos dispositivos móveis, são bem semelhantes a suas versões impressas?
  2. Por que muitas revistas digitais não exploram os recursos que os dispositivos móveis trazem, como a interação por meio do toque, a inclusão de áudio e vídeo etc?
  3. Por que muitos processos de produção, como diagramação, distribuição, assinaturas etc., ainda são parecidos aos processos das revistas impressas?
  4. Tudo isso não deveria ser diferente, em se tratando de novas tecnologias?

Se formos imediatistas e pouco teóricos, essas e outras questões podem ser respondidas em poucas palavras: podemos dizer que o processo de convergência foi um processo moderado. Essa afirmação pode ter um teor de razão, mas também pode estar muito equivocada. Para respondermos essas questões, levantaremos algumas hipóteses:

  1. A semelhança visual entre revista impressa e revista digital é para fazer com que o leitor não se assuste ou não estranhe a atual revista eletrônica, deixando o primeiro impacto que tiveram ou terão apenas para o novo suporte, que deixa de ser o papel e passa a ser o moderno aparelho eletrônico.

  2. Muitas revistas digitais não foram projetadas para os suportes digitais. Questões como design, legibilidade, projeto gráfico, a falta de exploração dos recursos ofertados pelos novos dispositivos móveis, falta de verba, de conhecimento, de vontade etc. tornaram muitas revistas apenas um espelho digital mal feito, ou melhor, já vimos muitas revistas digitais para tablets e smartphones “jogadas”, em formato PDF, sem nenhum preparo ou cuidado. Por outro lado, já vimos também, inúmeras revistas, como a Exame Info, PME Exame, a Carta Capital, entre outras, bem projetadas, ofertando para o leitor uma experiência surpreendente e confortável. 

A revista Computer Arts é um exemplo de revista que não foi projetada para os dispositivos móveis (imagem criada pelo autor).

A revista Computer Arts traz conteúdos de design, tecnologia etc, e, quando tivemos acesso a esta revista pela primeira vez, nos decepcionamos, pois acreditávamos que, por ser uma revista de design, sua versão digital seria muito bem feita, mas o que encontramos foi uma revista que, para ser lida, precisa ser pinçada no tablet (a versão para celular é muito pior), ou seja, para ter acesso aos seus conteúdos verbais, é preciso ficar ampliando a imagem (pois está em PDF estático). Embora as matérias nela veiculadas sejam interessantes, nos sentimos enganados por termos comprado uma revista que mal dá para ler.

  1. O processo de convergência digital não precisa ser radical ou total. Para se ter uma autonomia no processo de produção, inicialmente, a transição do processo é gradativa e se as revistas se assemelham com sua referência analógica. Essa adaptação não passa apenas por uma questão de conhecimento técnico, passa também por uma questão de pensamento convergente, que transforma o analógico em digital.
  2. A exploração de novos recursos deve ser empregada para reforçar a mensagem, sem perder a importância do conteúdo, não pode ser usada de forma gratuita e aleatória. O fato de uma nova tecnologia conter novos recursos não habilita o designer, diretor de arte ou o diagramador a usar todo seu arsenal tecnológico de uma vez.

O processo de produção da revista por meio de computador não é novidade alguma e não é exclusividade da revista digital. Este processo aconteceu com a entrada dos computadores na produção gráfica, ou seja, os profissionais que atuam nesta área já estão acostumados a diagramar com o uso do computador, já sabem que as tintas não são mais pigmentos, as fotos são digitalizadas, a retícula se transforma em pixel. Isso significa que o processo de feitura da revista digital tem muitas semelhanças com o da revista analógica e, por isso, não pode ser encarado como algo árduo ou difícil.

Para aproveitar todo o know-how desses profissionais, os desenvolvedores desta tecnologia (Adobe SystemsQuark IncApple) criaram um processo de produção muito próximo do sistema que editores já conhecem. Isso quer dizer que, do ponto de vista de produção, a tarefa de se preparar a revista digital não é complexa, só requer um pouco mais de conhecimento.

Para entendermos esse processo de produção, é preciso entender os caminhos que nos levam a produzir a revista digital para tablets smartphones. Por isso, faremos um passeio pelas etapas que conduzem à produção de revista digital.

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