O futuro é agora!

Nações sendo governadas por empreendedores, digitalização completa do mercado, relacionamentos virtuais, robôs disputando postos de trabalho lado a lado com seres humanos e mais recentemente, anunciada a invenção do carro voador com planos de comercialização para 2020. Senhoras e senhores, oficialmente, sejam bem-vindos ao mundo do amanhã! Sejam bem-vindos ao futuro!

   Pode até pare­cer rotei­ro de um fil­me de Ste­ven Spi­el­berg ou pági­nas de um con­to de H.G. Wells, mas a gran­de ver­da­de é que essas novi­da­des, dig­nas de uma exce­len­te estó­ria de fic­ção cien­tí­fi­ca, já não são mais novi­da­des, são fatos verí­di­cos e estão estam­pa­das nas man­che­tes dos jor­nais “de ontem”.

   No sécu­lo XX, o ser huma­no retra­ta­va o futu­ro como algo mui­to dis­tan­te da rea­li­da­de da épo­ca, algo con­si­de­ra­do impos­sí­vel e fan­ta­si­o­so. Mera fic­ção!  Em 1962, dese­nhos como The Jet­sons, dizi­am que no futu­ro, o ser huma­no con­vi­ve­ria com robôs voa­do­res, se comu­ni­ca­ria atra­vés de ima­gens repro­du­zi­das em telas de moni­to­res e uto­pi­ca­men­te, as pes­so­as não cami­nha­ri­am, mas pas­sa­ri­am de um lugar para o outro sen­do leva­das por imen­sas estei­ras.

   Puro entre­te­ni­men­to. Ape­nas pro­du­tos ima­gi­ná­ri­os de men­tes bem cri­a­ti­vas para a épo­ca. Nada mais do que isso. Ape­nas algo con­si­de­ra­do… “engra­ça­di­nho”.

   Como acre­di­tar que mais per­to do que pen­sá­va­mos, aqui­lo que era con­si­de­ra­do ilu­só­rio, seria con­si­de­ra­do roti­na, e teria nomes como Dro­nes, Sky­pe e a tal das “estei­ras utó­pi­cas” fari­am par­te do coti­di­a­no de mui­tos luga­res, inclu­si­ve do Bra­sil, onde além de imen­sas, seri­am tam­bém sub­ter­râ­ne­as. Facil­men­te loca­li­za­das em São Pau­lo, den­tro da esta­ção Con­so­la­ção, da linha ama­re­la para a linha ver­de. Estei­ras que levam pes­so­as em dire­ção ao tra­ba­lho por bai­xo da ter­ra. Isto sim pare­ce coi­sa de fic­ção cien­tí­fi­ca.

   Robôs explo­ran­do Mar­te, ani­mais sen­do clo­na­dos, ócu­los com len­tes que mos­tram infor­ma­ções on-line e fones de ouvi­do que fazem tra­du­ção simul­tâ­nea.

   Star Trek? Bla­de­Run­ner? Não. Ape­nas mais um dia comum em 2017. Olhe pela jane­la. Veja as pes­so­as, veja o mun­do que o rodeia. Veja quan­to tem­po do seu dia você está em con­ta­to com a tec­no­lo­gia. Não há dúvi­das, o futu­ro é ago­ra!

   A tec­no­lo­gia, as ciên­ci­as e os mei­os de comu­ni­ca­ção evo­luí­ram a tal pon­to que o ser huma­no inven­ta e se rein­ven­ta dia após dia. Em um mun­do aon­de as infor­ma­ções che­gam cada vez mais rápi­do, sur­ge tam­bém a neces­si­da­de de acom­pa­nhar o rit­mo des­te mes­mo mun­do. Caso con­trá­rio, cor­re­re­mos o ris­co de ser­mos vis­tos como per­so­na­gens de outro dese­nho ani­ma­do dos anos 60: The Flints­to­nes

   Como diria o cien­tis­ta Char­les Darwin: “Não é o mais for­te que sobre­vi­ve, nem o mais inte­li­gen­te, mas o que melhor se adap­ta as mudan­ças”. Quer gos­te­mos ou não, o mun­do está mudan­do, e quem menos se adap­ta a essas mudan­ças cor­re o ris­co de ser dei­xa­do para trás no rit­mo dos gigan­tes pas­sos des­se  mes­mo mun­do.

   Reda­ções de jor­nais são redu­zi­das, jor­nais impres­sos e rádi­os tra­di­ci­o­nais vão sen­do aos pou­cos extin­tos e até mes­mo a tele­vi­são, impo­nen­te como sem­pre, com seu for­ma­to habi­tu­al de monó­lo­go, se sen­te ame­a­ça­da, e hoje bus­ca ao menos alcan­çar um humil­de diá­lo­go com o teles­pec­ta­dor.

   Ban­cas de jor­nal que ven­dem balas, chi­cle­tes e doces mais do que jor­nais, revis­tas e outros pro­du­tos impres­sos. Mídi­as com menos de 30 anos, como os cds, por exem­plo, sen­do lite­ral­men­te ani­qui­la­das pelas mídi­as digi­tais. Pro­fis­sões que foram popu­la­ri­za­das no país a menos de 40 anos, como o tele­mar­ke­ting por exem­plo, cor­ren­do o ris­co de pri­mei­ra­men­te serem enxu­tas até se tor­na­rem extin­tas. Cal­ma…  Pode até pare­cer assus­ta­dor bus­car uma pro­fis­são segu­ra em um mun­do tão sus­ce­tí­vel às trans­for­ma­ções, mas isto é ape­nas uma pri­mei­ra impres­são. Em um segun­do olhar, nota­mos que na rea­li­da­de não é uma extin­ção, mas basi­ca­men­te uma mudan­ça de for­ma­to em tudo.

   Antes de tudo é neces­sá­rio enten­der que não vive­mos em uma épo­ca qual­quer, mas sim uma épo­ca de CON­VER­SÃO extre­ma­men­te sig­ni­fi­ca­ti­va na nos­sa His­tó­ria como espé­cie. Segun­do mui­tos estu­di­o­sos, a Inter­net repre­sen­ta a ter­cei­ra gran­de revo­lu­ção da comu­ni­ca­ção huma­na.

   Revo­lu­ção tão sig­ni­fi­ca­ti­va esta que só foi pre­ce­di­da mui­tos sécu­los antes por outras duas, que de tão impor­tan­tes, jamais fize­ram a huma­ni­da­de vol­tar ao que era antes: A inven­ção da comu­ni­ca­ção ver­bal, atra­vés da fala e do idi­o­ma (na pré-his­tó­ria) e a escri­ta (segun­do  estu­di­o­sos, tam­bém na pré-his­tó­ria, com as pin­tu­ras rupes­tres das caver­nas, há dois milê­ni­os antes de se for­ma­rem os pri­mei­ros alfa­be­tos).

Publicação on-line. Evolução da comunicação

   Fato é que após a inven­ção do idi­o­ma e da escri­ta, o ser huma­no nun­ca mais “andou para trás” na comu­ni­ca­ção, ou seja, jamais dei­xou de falar ou escre­ver para se comu­ni­car. Mui­tos milê­ni­os depois, a Inter­net che­gou ampli­an­do ain­da mais a capa­ci­da­de de nos comu­ni­car­mos. Ago­ra, além de falar­mos e ler­mos, é tam­bém pos­sí­vel inse­rir ima­gens, áudio, tex­tos e até víde­os em tem­po real, em uma espé­cie de “mun­do vir­tu­al”.

   Segun­do os mes­mos estu­di­o­sos, a não ser que ocor­ra algo de gran­de impac­to na huma­ni­da­de, nun­ca mais dei­xa­re­mos de uti­li­zar a Inter­net, assim como foi com a fala e a escri­ta, e por isso tam­bém, o porquê de tan­tas mudan­ças.

   Não vive­mos uma épo­ca qual­quer, vive­mos mudan­ças tama­nhas que pou­cas gera­ções na huma­ni­da­de tive­ram o PRI­VI­LÉ­GIO de VIVEN­CI­AR.

   Pelo fato do mun­do ser mais conec­ta­do e o conhe­ci­men­to ser mais dis­po­ní­vel a todos, a huma­ni­da­de con­se­gue evo­luir com mais velo­ci­da­de, e a Inter­net se tor­na uma das mai­o­res res­pon­sá­veis para que isso ocor­ra.

   Enten­den­do isso, con­se­gui­mos com­pre­en­der tam­bém o porquê de tan­tas pro­fis­sões e mídi­as desa­pa­re­ce­rem como fuma­ça, enquan­to outras, total­men­te novas, sur­gem aos mon­tes.

   Na rea­li­da­de, nada sur­giu ou desa­pa­re­ceu, é uma con­ver­são.

   Como diria o quí­mi­co Antoi­ne Lavoi­si­er: “Nada se cria, nada se per­de, tudo se trans­for­ma”. Esta­mos em uma épo­ca de trans­for­ma­ção.

   O que nos leva a incer­te­za obs­cu­ra da seguin­te per­gun­ta: “Mas… Isso é ruim?”.

   Não neces­sa­ri­a­men­te. Já pas­sa­mos por coi­sas mui­to pio­res. Anti­ga­men­te, pes­so­as que pen­sa­vam de manei­ra dife­ren­te, eram vis­tas como lou­cos, e mui­tas vezes eram víti­mas de bar­bá­ri­es, como a gui­lho­ti­na ou joga­das a foguei­ra para serem quei­ma­das vivas. Pela pri­mei­ra vez na huma­ni­da­de, vive­mos em uma épo­ca mui­to pro­pí­cia para visi­o­ná­ri­os.

   Cri­a­ção de apli­ca­ti­vos, revis­tas digi­tais, star­tups, novas meto­do­lo­gi­as e con­cei­tos, enfim…

   Enxer­gar as mudan­ças e saber uti­li­zá-las.  Se for­mos lógi­cos, e com­pre­en­der­mos que se uma das mai­o­res pre­cur­so­ras das mudan­ças mun­di­ais é a Inter­net e todo o meio digi­tal, logi­ca­men­te, pode­mos con­cluir que AQUE­LES que sou­be­rem uti­li­zar esses recur­sos da melhor manei­ra pos­sí­vel, tam­bém terão mai­o­res chan­ces de suces­so no futu­ro.

   Pro­fes­so­res de idi­o­mas can­sa­dos de salá­ri­os bai­xos em suas esco­las, hoje, rea­li­zam vídeo-aulas on-line e fatu­ram até três vezes mais do que fatu­ra­vam. Isso sem sair de casa. Dia­ris­tas que divul­gam seus ser­vi­ços em sites e redes soci­ais são melho­res remu­ne­ra­das do que nor­mal­men­te seri­am caso tra­ba­lhas­sem somen­te para uma pes­soa e sem o apoio da rede vir­tu­al. Ven­de­do­res e empre­sá­ri­os apos­tam no E-com­mer­ce para tri­pli­ca­rem seus lucros. E mui­tas vezes, ganhan­do em dólar. E final­men­te, o mar­ke­ting digi­tal, que mais do que mar­ke­ting ensi­na as pes­so­as “a falar” nes­se novo mun­do, com essa nova lin­gua­gem, e com isso, aju­da a pes­so­as e empre­sas a cres­ce­rem cada vez mais até alcan­çar os seus sonhos.

   Sejam bem-vin­dos ao mun­do do ama­nhã, e esta é uma épo­ca mui­to pro­pí­cia para os visi­o­ná­ri­os. Cri­a­ti­vi­da­de e novas idei­as são bem rece­bi­das por aqui.

   Desa­pe­gue-se um pou­co mais dos padrões do pas­sa­do. O mun­do está mudan­do. É cru­ci­al ver o que tem lá na fren­te e se pre­pa­rar no pre­sen­te.

   Por mais que seja fabu­lo­sa e ins­ti­gan­te a ideia de via­gens inter­pla­ne­tá­ri­as, que tal espe­rar­mos um pou­co antes de irmos em dire­ção ao vácuo do espa­ço pro­fun­do e resol­ver­mos ques­tões de mai­or emer­gên­cia que temos por aqui mes­mo, den­tro da “Mãe Ter­ra”. Em um mun­do onde cada vez menos as pes­so­as se olham nos olhos, espé­ci­es de ani­mais são dizi­ma­das, rela­ci­o­na­men­tos se tor­nam des­car­tá­veis, conec­tan­do e se des­co­nec­tan­do quan­do que­rem, mas sem vín­cu­lo algum, e  pes­so­as se usam e se jogam fora como se fos­sem um pro­du­to qual­quer, não é difí­cil notar que há algo erra­do.

   Em uma épo­ca onde cri­an­ças mor­re­rem afo­ga­das fugin­do de guer­ras é con­si­de­ra­do algo “nor­mal”, onde vemos a vida cada vez mais por trás da tela fria de um celu­lar e cada vez menos com nos­sos pró­pri­os olhos, onde cada vez mais esta­mos pre­o­cu­pa­dos em nos expres­sar e cada vez menos em ouvir o lado do outro, pode­mos ima­gi­nar quais os rumos que estão cami­nhan­do os rela­ci­o­na­men­tos huma­nos.

   E… O que vem à fren­te?

   Via­gens pelo espa­ço? Colo­ni­za­ções inter­pla­ne­tá­ri­as? Ou… Quem sabe… Explo­ra­ções fora do sis­te­ma solar?

   Pode até ser. Afi­nal há menos de seten­ta anos, con­si­de­ra­mos tam­bém impos­sí­vel o que hoje é roti­na. Mas a ques­tão não é somen­te esta. Tal­vez seja impres­cin­dí­vel no tal… “Mun­do do ama­nhã”, res­ga­tar­mos tam­bém algo que aos pou­cos pare­ce se desen­con­trar do ser huma­no. Afi­nal, são lin­das, mag­ní­fi­cas e impor­tan­tes nos­sas con­quis­tas tec­no­ló­gi­cas, mas quem sabe ago­ra, já que vive­mos tam­bém em uma épo­ca de tan­tas mudan­ças trans­for­ma­ções, não seja tam­bém a hora cer­ta de rea­li­zar­mos mudan­ças trans­for­ma­ções real­men­te impor­tan­tes em nos­sa essên­cia huma­na.

   Afi­nal, vive­mos em um pla­ne­ta que nós mes­mos esta­mos tor­tu­ran­do e matan­do aos pou­cos, e meta­de des­te pla­ne­ta sofre de extre­ma obe­si­da­de enquan­to a outra meta­de mor­re de fome, e isto nos faz pen­sar: “O que fare­mos quan­do final­men­te con­quis­tar­mos outro pla­ne­ta?”.

   Usar e des­truir o pró­prio pla­ne­ta e “sal­tar” para outro, pode­ria ser inte­res­san­te até  fazer­mos a per­gun­ta: “O que faría­mos com esse outro pla­ne­ta?”. Será que des­trui­ría­mos tam­bém? Se sim, exis­te outro ser vivo que asse­me­lha­ria a esse com­por­ta­men­to huma­no: Um vírus. Será que seria éti­co, ou filo­so­fi­ca­men­te cor­re­to, a huma­ni­da­de ir “pulan­do” pelo espa­ço, de pla­ne­ta em pla­ne­ta como um… vírus?

   Será que dian­te de todo o poten­ci­al bené­fi­co do ser huma­no esta­ría­mos nos redu­zin­do a um “vírus pla­ne­tá­rio” com a des­cul­pa de cha­mar isso de “evo­lu­ção”?

   Tal­vez, esta­mos ape­nas em pro­gres­so, e não exa­ta­men­te evo­luin­do.

   Esta­mos mais dis­tan­tes, não só de outros huma­nos, mas de nós mes­mos. Dian­te da cor­re­ria em bus­ca de dinhei­ro, rara­men­te sen­ti­mos nos­sos pés em con­ta­to com a ter­ra ou a água da chu­va em nos­sa face.

   Dian­te da últi­ma fatu­ra do car­tão de cré­di­to, ou do deses­pe­ro por aque­la pro­mo­ção no tra­ba­lho, esque­ce­mos de sen­tir o ven­to sere­no no ros­to, do sabor da comi­da ou de olhar nos olhos de outra pes­soa. Colo­ca­mos o sofri­men­to alheio ape­nas como isso, “sofri­men­to alheio”… E aos pou­cos não nos impor­ta­mos mais uns com os outros, segu­ros ven­do o mun­do se des­mo­ro­nar por trás de telas. Com a des­cul­pa de que nada pode­mos fazer para mudar as coi­sas e o mun­do é assim mes­mo. Até mes­mo as risa­das que pode­ría­mos sol­tar em uma mesa de jan­tar ou um café acom­pa­nha­dos pelas pes­so­as que gos­ta­mos, são sim­pli­fi­ca­das por duas letras: “rs”.

   Aos pou­cos redu­zi­mos a gran­de­za de um abra­ço aper­ta­do e da pro­fun­di­da­de de um olhar dizen­do “Eu te amo”, por um emo­ti­con ama­re­lo com cora­ções nos olhos.

   Esta­mos per­den­do a pro­fun­di­da­de das coi­sas, e assim, aos pou­cos nos tor­na­mos tam­bém total­men­te super­fi­ci­ais. Tão rasos como as telas dos nos­sos celu­la­res e smartpho­nes.

   Tal­vez, e somen­te tal­vez, pre­ci­sa­mos tam­bém de outro tipo de evo­lu­ção. Uma evo­lu­ção real e mui­to mais pro­fun­da. Uma evo­lu­ção mui­to mais conec­ta­da com nos­sa exis­tên­cia e natu­re­za huma­na. Uma evo­lu­ção tec­no­ló­gi­ca, mas pri­o­ri­zan­do ain­da mais a evo­lu­ção físi­ca, men­tal, espi­ri­tu­al e emo­ci­o­nal. Como diria um ser huma­no nas­ci­do no final do sécu­lo XIX, mas ain­da com idei­as mui­to visi­o­ná­ri­as para o sécu­lo XXI: “Mais do que máqui­nas, pre­ci­sa­mos de huma­ni­da­de” (Char­lie Cha­plin).

   O futu­ro é ago­ra! E mais do que isto,  temos a opor­tu­ni­da­de de fazer exa­ta­men­te ago­ra um futu­ro melhor!