FORMATOS DE PUBLICAÇÃO DIGITAL

POR ADRIANO RODRIGUES

Existem várias formas de publicar revistas digitais para dispositivos móveis. De acordo com o objetivo e o público de quem está publicando, conhecer os vários tipos de formatos é imprescindível para que os editores possam publicar. A escolha dos formatos não é uma questão apenas de público ou de editores, pode ocorrer também por uma questão econômica, de verba ou até mesmo de conhecimento técnico.

Acreditamos que a escolha de um formato impacta muito a forma de produzir a revista e na experiência que o leitor terá ao manusear a revista em seu formato digital. Com experiência de leitor de revistas digitais, acreditamos que uma boa produção, sabendo explorar os recursos que os novos suportes digitais oferecem é indispensável para atingir o leitor. É preciso saber explorar as possibilidades incorporadas aos dispositivos móveis, com o objetivo de trazer novas experiências de uma forma diferente e inovadora.

Mas sabemos que a realidade das editoras é bem diferente, pois produzir a revista digital, explorando os recursos implantados nos novos dispositivos requer investimento e conhecimento de causa, requer um capital humano disposto a rever alguns conceitos de produção e também um estudo avançado de novos conhecimentos.

A produção de revista digital pode ser feita por meio de alguns formatos e até mesmo com a mistura deles. Exemplificaremos abaixo como os formatos PDFHTMLFOLIO e FLASH podem nos ajudar nesta missão. Mas, para entendermos o funcionamento e as características de cada formato, vejamos abaixo as especificidades e funções dos padrões digitais de produção da revista interativa.

O formato PDF é um tipo de arquivo que pode ser acessado por vários dispositivos como computadores, tablets e smartphones e em qualquer tipo de sistema operacional, IOS, Windows, Linux (sistemas de computadores) e os sistemas IOS, Android, Windows Phone (sistemas de dispositivos móveis).

Este interessante formato foi desenvolvido pela Adobe Systems em 1993 e se tornou a forma mais simples e barata de converter qualquer arquivo gerado pelos mais diversos softwares em arquivos eletrônicos. É também um tipo de arquivo aberto que facilita a troca de documentos por meio da tecnologia digital.

A implantação do formato PDF em nosso cotidiano tem mais de 20 anos e sua tecnologia amadureceu muito. Hoje podemos encontrar o formato PDF em sua versão interativa, trazendo com ele inúmeros recursos como a inclusão de hiperlinks, marcadores, vídeos, áudios, formulários, que podem ser visualizados em modo de apresentação, contendo também transição de páginas.

O uso do formato PDF na produção de revistas digitais tem muitas vantagens e desvantagens, mas se formos analisarmos bem e se pensarmos em termos de funcionalidade, as desvantagens do formato PDF são maiores, principalmente quando são acessados por meio de smartphones. Vejamos, com detalhes, as vantagens e as desvantagens do formato PDF na implantação da revista digital.

Podemos apontar como vantagens a facilidade de sua conversão, pois com o clicar de alguns botões no software que a revista está sendo produzida, o material final fica pronto em instantes. Outra vantagem que o formato PDF tem é em relação ao layout da revista, pois quando convertida temos como resultado final a fidelidade do projeto gráfico criado, ou seja, quando geramos um documento e convertemos para PDF, o resultado é uma cópia exata do que foi produzido.

Como dissemos, na produção de revista digital, as desvantagens do formato PDF são grandes. Primeiramente, a cópia gerada em PDF é simplesmente o documento eletrônico da revista, isso quer dizer que o PDF não é um tipo de arquivo fluído, ele não se adapta aos formatos de tablets e smartphones e, no computador, ficam fora de proporção em relação à tela widescreen do aparelho, perdendo todo o design que foi estabelecido no projeto gráfico.

Ao ler uma revista no formato PDF em tablet e smartphone, o leitor fica totalmente perdido e, para ter acesso ao conteúdo, o mesmo ficará movendo a tela para lá e para cá. Esta experiência pode acabar com todas as expectativas que o leitor tem em relação à revista digital.

Se a revista for produzida em uma versão interativa do PDF, ela torna-se um pouco mais interessante, mas o nível de interatividade que vemos em outras publicações torna esta opção uma publicação podre.

O formato HTML é muito utilizado na produção de conteúdos para internet como sites, blogs, e‑mail marketing etc. O HTML é uma linguagem de marcação de hipertexto, criada pelo físico britânico Tim Berners-Lee.

A linguagem HTML é muito utilizada na produção de conteúdo digital e, com a inclusão de outras linguagens, como XMLCSS, JavaScript entre outros, dá ao formato digital inúmeras possibilidades na feitura da revista digital. Porém, como o formato PDF, tem também vantagens e desvantagens.

É possível citar como vantagens as inúmeras possibilidades de recursos que podemos obter na feitura da revista digital com a combinação de outras linguagens de programação. Isso quer dizer que, se necessário e se tivermos conhecimento, todo o processo de produção da revista digital pode ser desenvolvido com esta linguagem de programação.

A produção de revista digital com a linguagem de programação não é tarefa das mais fáceis, pois requer das pessoas envolvidas conhecimento de causa. O conhecimento necessário para se trabalhar com HTML foge muito do conhecimento encontrado nas redações de revistas, pois requer a ajuda de programadores.

Uma opção interessante para usar a linguagem HTML é a produção por meio de softwares que geram essa linguagem, como o Adobe DreamweaverAdobe Muse etc, mas, mesmo assim, torna-se necessário o conhecimento de causa para ajustar os problemas que podem ocorrer.

Uma vantagem considerável na produção da digital é a possibilidade de fazê-la com a ideia de layout líquido, com tecnologia responsiva. Todo esse linguajar tecnológico quer dizer que, se fizermos a revista digital com a tecnologia HTML, o layout pode ser ajustado automaticamente para todos os dispositivos (computador, tablet e smartphone) sem a necessidade de refazer o conteúdo para cada dispositivo. É importante salientar que esta opção de layout líquido só é possível se o projeto for desenvolvido com esta tecnologia; caso contrário, os ajustes automáticos para cada dispositivo não funcionam.

Se a editora quer produzir algo novo e diferente de padrões estabelecidos é uma opção interessante, mas saiba que essa escolha requer um nível de produção bem complexa e trabalhosa.

Formato Folio

O formato Folio é um formato criado pela Adobe Systems. Sua introdução veio juntamente com a implantação da plataforma de publicação digital Adobe DPS e é muito utilizado na produção de revista digital interativa. O arquivo final deste formato não é acessado em computadores como outras extensões como DOCPSDPPT etc. Ele fica por traz do arquivo gerado pela plataforma Adobe DPS.

O resultado das publicações, gerado por meio dos arquivos folio, é bem interessante para a produção da revista digital, já que foi esta tecnologia que ajudou a estabelecer o padrão que vemos hoje nas revistas digitais em dispositivos móveis.

Para se produzir publicações digitais usando a tecnologia de arquivos folio não é tarefa das mais difíceis, já que o mesmo é resultado de uso de plataforma, onde o processo de produção está automatizado – a exigência maior é aprender a usar as ferramentas encontradas no Adobe DPS.

Apesar das vantagens serem interessantes, vemos desvantagens consideráveis na produção da revista digital por meio deste formato. Primeiramente, podemos apontar o alto custo para usar a plataforma, já que, para publicarmos as revistas, temos que pagar o uso da ferramenta, temos que pagar a licença que custa por volta de US$ 109 mil anuais.

Outro problema encontrado é a quantidade de trabalho que precisa ser feito. Se pensarmos em distribuir esta revista para todos os dispositivos, como ele não possui a tecnologia de layout líquido, é preciso fazer uma diagramação para cada dispositivo e ajustar o formato para cada tipo de tela. É importante dizer que no formato folio não é possível a produção de conteúdo para computadores, a opção que oferecem para este fim é extremamente ruim e pode ser desconsiderada por não se tratar de uma opção válida. A Adobe não conseguiu desenvolver uma versão de publicação digital boa para computador, a versão que ela apresenta é ruim, na verdade, o que ela entrega é o pré-visualizador de publicação digital de sua plataforma (Adobe DPS / Content Viewer).

Outra desvantagem que podemos encontrar é que o conteúdo gerado fica preso, encapsulado dentro do tablet, sem conexão com o ambiente da web. Isso quer dizer que todo o conteúdo gerado não pode ser visto/reconhecido pelos buscadores como o Google, o Yahoo e o Bing, da Microsoft. Esta última torna-se, portanto, uma das piores desvantagens, e vale aqui lembramos que isso não é exclusividade deste formato, o PDF tem a mesma característica.

Hoje o Adobe Flash também é de propriedade da Adobe Systems, mas sua criação é de propriedade da Adobe. Este formato foi desenvolvido em 1995, pela empresa Futurewave. Em 1996, a empresa Macromedia juntou-se a Futurewave com o objetivo de melhorar o software e, no mesmo ano, o Flash foi comprado pela Macromedia. A Adobe adquiriu o Flash em 2005, ano em que a Adobe adquiriu a Macromedia.

Adobe Flash é um software que gera arquivo fechado. Sua extensão final é a SWF. Nele, é possível fazer desenhos vetoriais e incluir imagens rasterizadas com os formatos Bitmap, JPGPNG e vídeo. Inicialmente, os desenvolvedores do Flash tinham como objetivo fazer animações interativas para computadores, mas logo ele foi adaptado para o ambiente da web (internet) e se tornou um grande sucesso na feitura de sites, publicidades online etc.

Flash funciona muito bem no ambiente da web, tanto que os anúncios do Google no formato Rich Media ainda são feitos com ele. Sua utilização em dispositivos móveis foi banida por Steve Jobs. Jobs, que achava que o Flash gerava arquivos pesados para serem usados em plataformas mobile e resolveu banir os arquivos gerados pelo Flash de seu sistema operacional IOS. Para Jobs, o formato ideal é o HTML, pois com esta tecnologia pode-se implementar tudo que o Adobe Flash suporta.

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