EM BUSCA DE DEFINIÇÃO DE REVISTA DIGITAL

POR ADRIANO RODRIGUES

   Defi­nir revis­ta digi­tal não é tare­fa sim­ples e não tem defi­ni­ção úni­ca e pre­ci­sa. Em bus­ca por uma defi­ni­ção do ter­mo, Sou­za apre­sen­ta a teo­ria de vári­os auto­res, mas a que mais se apro­xi­ma de uma defi­ni­ção inte­res­san­te, para nós, é a que foi apre­sen­ta­da por Horie e Plu­vi­na­ge, embo­ra não seja com­ple­ta, pois os auto­res con­tem­plam ape­nas o uso de tablet como supor­te de revis­ta digi­tal e, hoje, vemos revis­tas digi­tais depo­si­ta­das tam­bém em com­pu­ta­do­res e smartpho­nes:

   Com uma defi­ni­ção mais foca­da no con­teú­do e sua ade­qua­ção ao meio, Horie e Plu­vi­na­ge (2011) defi­nem a revis­ta digi­tal como uma “publi­ca­ção perió­di­ca for­ma­ta­da para lei­tu­ra em tablets e outros dis­po­si­ti­vos móveis”. […]

   Para eles, a RD não pode ser um PDF está­ti­co, tem que estar ade­qua­da à lin­gua­gem digi­tal. Essa ade­qua­ção se dá quan­do a publi­ca­ção segue as carac­te­rís­ti­cas oriun­das das revis­tas, do meio digi­tal e dos tablets. Os auto­res con­si­de­ram ele­men­tos vin­dos das revis­tas: a peri­o­di­ci­da­de, seg­men­ta­ção, por­ta­bi­li­da­de e iden­ti­da­de grá­fi­ca; já os ele­men­tos vin­dos do meio digi­tal seri­am para Horie e Plu­vi­na­ge lei­tu­ra mul­ti­mí­dia, inte­ra­ti­vi­da­de e o hiper­tex­to; e, final­men­te, como ele­men­tos das RD para tablets: ori­en­ta­ção dupla e pro­fun­di­da­de.

   As revis­tas digi­tais já tive­ram ver­sões em CD-Rom, pois este tipo de supor­te físi­co pode incor­po­rar tex­tos, ima­gens, víde­os, sons etc. Hoje, as revis­tas estão depo­si­ta­das em ambi­en­te digi­tal e mui­tas publi­ca­ções estão depo­si­ta­das não ape­nas em tablets, mas em ambi­en­tes mul­ti­pla­ta­for­ma. Para exem­pli­fi­car­mos esta afir­ma­ção, pode­mos ver a revis­ta de tec­no­lo­gia da Edi­to­ra Abril, Revis­ta Info, que hoje é uma revis­ta mul­ti­pla­ta­for­ma.

Revis­ta Digi­tal Info. Ver­são com­pu­ta­dor

   Em dezem­bro de 2014, a Edi­to­ra Abril deci­diu inter­rom­per a edi­ção impres­sa da Revis­ta Info e, em feve­rei­ro de 2015, a revis­ta ganhou sua ver­são para com­pu­ta­dor, além das já con­sa­gra­das ver­sões em tablets e smartpho­nes. A ati­tu­de ado­ta­da pela Edi­to­ra Abril pode ser uma expe­ri­men­ta­ção, tal­vez radi­cal, mas acre­di­ta­mos que a revis­ta digi­tal depo­si­ta­da tam­bém em com­pu­ta­dor será neces­sá­ria, pois além de ser mais uma opção de lei­tu­ra, aju­da na divul­ga­ção e comer­ci­a­li­za­ção da revis­ta digi­tal.

   Vale a pena res­sal­tar aqui par­te das afir­ma­ções apre­sen­ta­das por Horie e Plu­vi­na­ge. Os auto­res afir­mam que a revis­ta em for­ma­to PDF, sem nenhu­ma inte­ra­ti­vi­da­de, não pode ser con­si­de­ra­da revis­ta digi­tal, pois além de não esta­rem ade­qua­das à lin­gua­gem digi­tal, ela é ape­nas um arqui­vo digi­tal. Para ser con­si­de­ra­da revis­ta digi­tal é pre­ci­so con­tem­plar as carac­te­rís­ti­cas do meio revis­ta e con­ter ele­men­tos da tec­no­lo­gia digi­tal como: inte­ra­ti­vi­da­de, ade­qua­ção aos vári­os for­ma­tos e dis­po­si­ti­vos, hiper­links, ade­qua­ção do pro­je­to grá­fi­co do impres­so para o digi­tal, pla­ne­ja­men­to de nave­ga­ção etc.