CONCLUSÃO

POR ADRIANO RODRIGUES

Como já é sabido, a revista digital é uma realidade em nosso dia-a-dia. Hoje, inúmeras editoras publicam seus trabalhos, com o objetivo de passar informações para seus públicos. Percebemos que o mercado de revista impressa está cada vez mais reduzido e o mercado de publicação digital vem crescendo. Para que façamos nossa contribuição para este mercado, buscamos, nesta pesquisa, compartilhar informações que achamos relevantes para ajudar várias editoras a publicarem suas revistas com custos cada vez menores. Sendo assim, as editoras poderão repassar essa redução de custos para seus leitores e, quem sabe, com isso. ajudar a difusão do conhecimento.

Hoje, todos os públicos procuram informações na internet e, cada dia mais, os buscadores entregam conteúdos cada vez mais qualificados. Os meios de comunicação podem explorar esta prática, continuando a gerar informações para o público da internet. O interessante é não nadar contra a maré e sim aproveitar a corrente e seguir o fluxo. O que percebemos aqui é que muitas editoras convergiram suas revistas para o digital, mas o modelo de negócio continua o mesmo. Acreditamos que mudar apenas a revista seja uma prática necessária, o que pensamos é que o processo de convergência mude não apenas o produto, mas toda uma cultura e prática de monetização do meio.

Percebemos que as plataformas de publicações digitais, apesar de serem funcionais, só resolvem um problema de convergência, pois miram apenas no processo de digitalização da revista impressa para o digital. O resultado, em muitos casos, é extremamente interessante do ponto de vista funcional do produto, mas, se pensarmos em um todo, o processo de digitalização da revista não contempla todo o ecossistema deste tipo de mídia digital. As plataformas que citamos nesta pesquisa resolvem um problema imediato do meio revista, mas todo o processo não ajuda em nada as editoras a pensar em um modelo de negócio que venha a ajudá-las, pois tal processo é rentável apenas às empresas que desenvolvem as plataformas.

Apesar de acharmos que o resultado final de uma revista digital que utiliza plataforma de publicação digital seja interessante, do ponto de vista prático ou comercial achamos que o modelo que foi imposto está equivocado. Como já dissemos, os conteúdos das revistas ficam represados dentro da plataforma, sem conexão com a rede mundial de computadores. Acreditamos que um modelo de revista digital conectado ajuda a difusão da mensagem e ajuda as editoras a alavancarem os negócios, pois sabemos que as verbas publicitárias estão migrando cada vez mais para a internet e, se as revistas estiverem lá, poderão morder parte destes valores. Sendo assim, as editoras podem comercializar anúncios em revistas impressas e também outros anúncios para revistas digitais.

O que propomos nesta pesquisa é o desenvolvimento de modelo de produção de revista digital online. Acreditamos que este tipo de produção pode ajudar os leitores a ter acesso à informação, as editoras no comércio de novos anúncios publicitários e as empresas, que podem anunciar seus produtos ou serviços em ambiente digital com conteúdos de qualidades.  O que propomos nesta pesquisa é o desenvolvimento de um modelo de revista digital online multiplataforma, onde os conteúdos estarão dispostos em computadores, tablets e smartphones. Com esta prática, os leitores poderão acessar os conteúdos das revistas onde quer que eles estejam conectados.

O que buscamos nesta pesquisa é mostrar e organizar um caminho de produção de revista digital que contemple diversos públicos, ajudando a criar um produto digital que seja viável. Sabemos que os caminhos que expusemos nesta pesquisa não são nenhuma novidade, uma vez que já foram explorados em outros tempos, mas a forma como foram tratados não foi convincente, pois não houve aceitação da proposta pelas editoras, pelos públicos e nem mesmo pelos anunciantes. O que queremos é sistematizar o processo com o intuito de melhorar o produto final.

Para que a revista digital online tenha êxito, é preciso difundir esta ideia aos públicos envolvidos. Para que isso seja feito, torna-se necessário fazer campanhas que divulguem este novo produto e percebemos, no marketing digital, uma grande oportunidade. Porém, sabemos que campanhas publicitárias não ajudam a divulgar o produto se este não tiver qualidade.

Para que a revista digital online ou até mesmo a revista digital offline (plataformas) tenha êxito, é preciso pensar e resolver outras questões que auxiliem em sua comercialização e consumo. Martino (p. 11 e 12) apresenta algumas teorias de Flew, combinados com outros autores sobre conceitos chave para as mídias digitais. As ideias de Flew convergem com as nossas, pois ele fala sobre barreira digital, ciberespaço, convergência, cultura participativa, interatividade, interface, segurança e vigilância, velocidade e virtualidade.

As mídias digitais conseguirão atingir um maior número de pessoas quando elas romperem a barreira digital, ou seja, quando mais pessoas tiverem acesso aos computadores, tablets ou smartphones e às mídias digitais o sucesso será eminente. O que vemos hoje é que o acesso ao consumo das mídias digitais ainda é restrito ao pequeno público, mas, quando os dispositivos forem mais acessíveis, esse cenário mudará.

Quando as mídias digitais migrarem ou tiverem mais presença no ciberespaço, o acesso ao fluxo de dados digitais poderão atingir mais pessoas. Acreditamos que uma revista digital conectada possa ser extremamente interessante nos mais diversos aspectos. Os dados dispostos em ambientes online podem circular em diversos tipos de públicos, levando conteúdos e mensagens ao número maior de pessoas conectadas.

O processo de convergência digital acontece em vários momentos. Podemos dizer que a convergência começa no homem, que precisa pensar e produzir novas formas de distribuir os conteúdos. O homem precisa se preparar para se adaptar às mudanças trazidas pelo processo de convergência. Na produção de revista digital online por meio de plataformas de criação de site e blogs, a convergência acontece primeiro na aceitação dos editores a mudarem o processo de produção da revista digital, depois dá-se no processo de montagem (diagramação), onde muitos processos mudam devido ao uso de novas ferramentas e, por último, ocorre na mente dos leitores, por quererem consumir conteúdos depositados em ambientes digitais.

Na cultura participativa, a tecnologia digital permite que qualquer pessoa possa produzir conteúdos no ciberespaço. Esses conteúdos podem ser inéditos ou recriar informações já existentes. É possível até mesmo interagir de forma instantânea com o produtor do conteúdo exposto na internet. Na cultura participativa, a produção e a difusão de conteúdo não fica restrita às mãos dos editores, os inúmeros públicos podem expressar suas ideias no mundo digital conectado.

O mundo virtual (seja ele online ou offline) trouxe recursos de interatividade para o ambiente digital. As interatividades se dão de diversas formas, sejam interações entre usuários, entre sistemas ou mesmo com recursos computacionais. As interatividades dentro da revista digital permitem o acesso aos mais diversos conteúdos, sejam eles galerias de fotos, vídeos, hiperlinks, interações com anúncios publicitários e até mesmo interações com redes sociais. Isso faz com que o leitor não fique passivo, possa reagir ao estímulo criado por editores e publicitários que querem contar com a participação instantânea do público.

Projetar a revista digital online, com interface amigável é um ponto de grande importância para o sucesso de uma publicação digital. O que encontramos hoje são modelos de revista mal projetados, ou simplesmente jogados sobre suportes digitais. Acreditamos que deixar de lado a interface de projeto editorial digital é o mesmo que jogar fora toda uma oportunidade de fazer um produto extremamente aceitável e amigável. Por outro lado, se a interface for bem projetada, criada com conceitos de navegações já convencionados, a chance deste produto ser bem aceito é grande, pois, para se ter uma boa interface, é preciso ter cuidado e zelo e o resultado de um bom projeto estimula o público a gostar e a consumir conteúdos vindos das mídias digitais.

Um ponto de grande relevância e inquietação na distribuição de conteúdos digitais é a possibilidade desses conteúdos serem copiados e até mesmo roubados por internautas mal intencionados. Trabalhar a segurança e vigilância desses conteúdos ajuda as editoras a protegerem seus trabalhos. Com este problema sanado, a segurança e a vigilância em ambientes conectados passa a ser um ponto positivo na distribuição de conteúdos digitais e hoje temos tecnologias confiáveis para sanar este problema.

Outro ponto extremamente relevante na produção da revista digital online é a velocidade em que esses dados serão acessados. Para termos um bom desempenho deste tipo de revista online é preciso novamente estabelecer, no projeto gráfico, parâmetros que possam sanar este possível problema. Quando as pessoas acessam conteúdos de informações, sejam elas analógicas ou virtuais, o que elas esperam é que esses conteúdos já estejam lá quando são acessados. Caso isso não ocorra, ou quando há um problema de conexão corriqueiro, o desempenho de qualquer produto digital fica comprometido. O importante é trabalhar para que isso não ocorra ou que seja apenas um problema pontual.

Para finalizarmos, acreditamos que a revista digital online seja uma excelente aposta para a viabilização da distribuição de conteúdos de qualidade. O que queremos é que os editores de revista digitais utilizem o ambiente online de forma sábia e eficiente para que seus produtos possam conquistar um espaço que já é seu no ambiente físico, mas, para isso acontecer, sabemos que a implementação de todo o processo deve ser feita de forma eficiente e muito bem projetada. Mesmo usando tecnologias já usadas em outros momentos e que não tenham dado tão certo assim, achar o mesmo caminho, vê-lo de forma diferente e seguir na mesma estrada não é voltar ao passado, é, na verdade, dar um passo maior em direção ao futuro. Como diz Chico Buarque de Holanda: “nem todo novo é revolucionário e nem todo velho é obsoleto”.

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